Prestes a desembarcar no Brasil, Ed Nash, o baixista do Bombay Bicycle Club, nos concedeu uma entrevista exclusiva em que fala de samba, o show no Planeta Terra Festival, Liam Gallagher e mais.

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Com três discos lançados em três anos, o Bombay Bicycle Club é um dos novos nomes do rock inglês. Com o primeiro disco lançado em 2009, a banda mostrou ao mundo seu folk rock. No ano seguinte, lançaram Flaws, disco totalmente acústico que fugiu do padrão e surpreendeu público e crítica. Agora a banda volta ao Brasil para apresentar seu novo disco A Different Kind of Fix, lançado mundialmente há poucos meses e que trás a adição de elementos eletrônicos ao som original do grupo.

Em entrevista ao Temporada de Festivais, o baixista Ed Nash disse que está ansioso para o show e que a platéia pode esperar por uma apresentação energética. Com disco recém-lançado ele já deixa avisado: nada das faixas acústicas de Flaws, o que prevalecerá serão as músicas de A Different Kind of Fix e de I Had The Blues But I Shook Them Loose, o disco de estréia.

Durante a conversa, o músico deixou a timidez de lado e falou sobre a passagem anterior ao Brasil, o que espera dos shows por aqui e até fez piada com o nome da banda, que já declarou achar ridículo. Confira a entrevista completa abaixo:

Vamos começar falando sobre música. Com três discos lançados, vocês já transitaram por uma certa variedade de estilos. O primeiro é bem folk e influenciado pelo indie americano. Aí veio o segundo, totalmente acústico. E agora vocês lançam A Different Kind of Fix com um toque mais eletrônico. Como  foi o processo de composição e como eles saíram tão diferentes?
Ed Nash – A gente não tocou muito ao vivo nos últimos dois anos, então tivemos mais tempo para ficar gravando os álbuns e agora para fazer o A Different Kind Of Fix, passamos muito tempo fazendo shows e isso já foi uma mudança. A razão para eles serem tão diferentes é que… sei lá, é mais influência da música que estávamos ouvindo na época. Com o segundo álbum, a gente não tinha a intenção de ser um segundo álbum, era para ser algo mais paralelo, então ele podia ser bem diferente. Já para o álbum que a gente acabou de lançar, estávamos mais focados no som do primeiro, mas com o elemento eletrônico, como você mesmo disse.

Como as músicas acústicas de Flaws se encaixam dentro de um show repleto de músicas mais elétricas?
Ed Nash – A gente nem toca músicas do Flaws. Quando entra, é só uma ou duas canções.

Vocês estiveram no Brasil pela primeira vez no ano passado para tocar no Prêmio Multishow de Música Brasileira. Vocês usaram samba em “Always Like This” no festival Glastonbury do ano passado e tocaram a versão aqui de novo. Como aconteceu essa mistura da música brasileira com a banda?
Ed Nash – Quando fizemos pela primeira vez no Glastonbury foi mais por diversão. Aí fomos para o Brasil e pensamos “Ei, é a terra do samba. Vamos procurar um grupo de samba daqui e fazer isso do jeito certo”. Aí a gente conheceu alguns grupos e no dia anterior a apresentação a gente foi na escola de samba para ver como era.

Vocês conhecem algum artista ou banda daqui?
Ed Nash – Não muitos. A banda de samba que tocamos juntos era muito boa, eles tocam um samba tradicional. Além disso, não conheço muita coisa. Conheço o CSS e acho que só.

Além do PMMB, vocês também fizeram um show no Rio de Janeiro. Como é tocar tão distante de casa e perceber o quão longe a sua música chegou?
Ed Nash – A melhor coisa do mundo. É muito bom. Especialmente ir ao Brasil. Para nós que moramos em Londres, é tudo diferente. Um lugar novo, novas experiências, novas comidas e o clima é ótimo. Quanto a tocar, é meio que difícil de acreditar. Por que é incrível que pessoas do outro lado do mundo ouçam as músicas que você faz.

Uma das marcas do Bombay Bicycle Club é a energia no palco. O que vocês esperam do público que assiste aos seus shows?
Ed Nash – A gente gosta de ter uma platéia mais energética possível. Até por isso o show que a gente fez no Brasil foi o mais divertido que fizemos em anos e estamos ansiosos para tocar aí novamente.

Em alguns dias vocês voltam ao Brasil para fazer mais três shows. Um no Planeta Terra Festival e outros dois shows em espaços bem menores. Qual a diferença de tocar em festivais para muitas pessoas e esses shows em lugares pequenos para um público reduzido?
Ed Nash – Cada um tem seu charme. Tocar em festivais é legal, pois você toca em um palco grande e para muitas pessoas. Mas ao mesmo tempo às vezes o público está lá para ver outras bandas, e você fica meio que tentando converter as pessoas. Já nos shows menores você tá tocando para um público mais selecionado, pessoas que já gostam da sua música, não é preciso converter ninguém. Enquanto nos festivais elas não necessariamente estão no seu clima desde o começo. Além disso, em festivais você sempre está muito longe do público e fora deles se fica muito perto, o que permite uma interação bem maior.

Então você prefere os menores.
Ed Nash – Acho que é difícil escolher. Em festivais você pode tocar ao ar livre, o que é muito legal, e conhecer outras bandas. E todas as vezes que você vai a festivais, você pode aproveitar para ver outros shows.

Vocês pretendem assistir algum dos shows do Planeta Terra Festival?  Tem bastante gente legal tocando…
Ed Nash – Quero muito ver o Broken Social Scene,  uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos e uma das maiores influências do Bombay Bicycle Club. Acho que vamos todos querer vê-los.

O que os fãs podem esperar dos shows do Bombay Bicycle Club por aqui?
Ed Nash – Músicas do novo álbum, algumas do primeiro álbum e, talvez, uma ou duas do Flaws. Um show energético, pois nos divertimos muito tocando e vamos tentar nos divertir ao máximo por aí.

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Da última vez que vocês estiveram aqui, tiveram tempo de conhecer a cidade?
Ed Nash – Sim. Ficamos aí por cinco dias e só fizemos dois shows, então conhecemos muito o Rio. Fomos a praia todos os dias, nadamos, fomos ao Pão de Açucar, que é muito legal. Saímos um dia para ver um show de uma tradicional banda de samba e foi incrível.

Já tem planos do que fazer aqui dessa vez?
Ed Nash – Vamos passar o máximo de tempo que pudermos saindo e explorando as cidades. E se os fãs quiserem dar um oi e sair com a gente, que fiquem a vontade.

O Liam Gallagher andou falando mal de vocês em algumas entrevistas. Se você desse de cara com ele no backstage do festival, falaria alguma coisa?
Ed Nash – Sei lá. Acho que não falaria nada. Acho até bom que ele fale da gente. Significa que estão prestando atenção na banda e que somos relevantes o suficiente para o Liam Gallagher tirar sarro.

Em uma entrevista recente, você declarou que não gosta do nome da sua banda. Como surgiu esse nome?
Ed Nash – A gente roubou de um restaurante. Literalmente copiamos. Hoje acho que é um nome bem ruim, acho que todos nós nos arrependemos de chamá-la assim.

Preciso perguntar… se pudesse mudar o nome da banda agora, qual você escolheria?
Ed Nash – Provavelmente escolheríamos outro restaurante. Chamaríamos KFC ou McDonald’s, só para continuar na vibe do restaurante.

Vocês lançaram três discos em três anos. Podemos esperar o próximo já pro ano que vem?
Ed Nash – Não, não vejo isso acontecendo tão rápido. Três álbuns em três anos já foi muita coisa. Como falei antes, a gente não fez turnê dos nossos álbuns, então dessa vez vamos focar nos shows. Se lançarmos outro em mais um ano ou dois, acho que será melhor.

Depois do Brasil, qual o próximo passo para o Bombay Bicycle Club?
Ed Nash – Um ano de turnê. A gente volta do Brasil e vamos fazer uma turnê pela Europa, uma turnê na Irlanda e depois vamos para a China. Depois do Natal a gente pretende continuar fazendo shows.

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O Bombay Bicycle Club se apresenta no Claro Indie Stage do Planeta Terra Festival no sábado, 5. No domingo, a apresentação também é em São Paulo, no Beco-SP. Na terça, a banda se junta a Toro y Moi e Broken Social Scene para o o Eu Quero Festival, que rola no Circo Voador, Rio de Janeiro.