O maior festival de música de São Paulo aconteceu no último sábado e contou, como de costume, com grandes atrações do rock alternativo e uma organização exemplar.

FOTO: Lucas Lucena

Não vou mentir, o Planeta Terra Festival é o evento que mais espero no ano. Ano passado fiquei surpreso com o tamanho que o festival tinha adquirido e como a organização lida muito bem com todos os aspectos do festival. E esse ano foi ainda melhor.

A chegada ao Playcenter foi tranqüila. Durante toda a tarde, o movimento estava tranqüilo no parque que abrigou, pelo terceiro ano consecutivo, o Planeta Terra Festival. Sem filas para entrar, para comer ou utilizar os banheiros. E foi essa tranqüilidade e organização que marcou o evento.

Em menos de uma hora, andei em três brinquedos e foi do alto da montanha russa que vi o início do show do rapper Criolo começar pontualmente às 16h. Segui para o Sonora Main Stage, onde acontecem os shows principais, já para ficar até o fim.

Criolo

Foto: Reinaldo Marques/Terra

A platéia era reduzida, mas bastou para que Criolo pudesse dominá-la como se fosse um show próprio. Durante 45 minutos, o rapper apresentou faixas de seu aclamado disco Nó na Orelha e provou porque é um nome efervescente do cenário alternativo nacional. Sua mistura de rap com os mais diversos ritmos animou a galera, chegando ao ápice com o hit “Não Existe Amor em SP”, cantado em coro por todos.

Nação Zumbi

Foto: Fernando Borges/Terra

A Nação Zumbi veio em seguida. Prestes a completar 20 anos, o grupo pernambucano levou ao Playcenter os maiores sucessos dessas duas décadas de carreira. Liderado por Jorge dü Peixe, o grupo mostrou todo o peso do manguebeat em músicas como “Meu Maracatu Pesa uma Tonelada” e “Quando a Maré Encher”. A popularidade da banda é imensa e animou muita gente mesmo debaixo do sol escaldantes que castigava a todos naquela tarde, motivo que deu margem para crítica da banda a organizações de festivais no Brasil: “As bandas brasileira precisam de melhores horários para tocar, o público não é obrigado a ficar esperando debaixo de sol. Mas isso tá mudando”, disse Jorge em um momento do show.

White Lies

Foto: Fernando Borges/Terra

O dia ainda estava claro quando a primeira atração internacional subiu ao palco. O estacionamento do Playcenter ainda estava enchendo quando os ingleses surgiram no Sonora Main Stage todos vestidos de branco para um set de 12 músicas que contou com músicas de seus dois disco, To Lose My Life e Rituals, como havíamos previsto. Os fãs da banda chegaram cedo para conferir o som dos ingleses de pertinho, mas a grande maioria parecia estar conhecendo a banda naquele momento.

Broken Social Scene

Foto: Fernando Borges/Terra

E foi o que também aconteceu com o Broken Social Scene. Tido como uma das maiores bandas do cenário indie mundial, o grupo chegou aqui para apresentar seus dois últimos shows ao vivo antes de entrarem em um longo hiato. A banda pode até ser representativa, mas foi aclamada apenas pelos fãs mais fervorosos. O som mais lento e carregado não animou quem desconhecia o grupo e era visível um grande número de grupos de pessoas sentadas nas regiões mais próximas ao palco. Apesar dos pesares, o grupo fez um belo show, concentrado nos clássicos de sua longa carreira de forma a se despedir do palcos.

Interpol

Foto: Fernando Borges/Terra

Para muitos foi quando a noite começou. Uma das atrações mais esperadas do festival, o Interpol subiu ao palco com seu típico visual comportado para um show característico da banda: intenso e comedido. A setlist de 15 músicas passeou por todos os discos do grupo e não concentrou-se apenas em sucessos, fazendo a alegria dos fãs mais ardorosos.

Foi durante o show do Interpol que deu para perceber que estávamos realmente em um festival. Se os shows anteriores foram marcados pelo desinteresse de grande parte do público, quando os americanos subiram ao palco foi marcado o primeiro momento de histeria coletiva da noite e o primeiro coro que cantou e gritou junto com a banda em canções que podem ser consideradas clássicos do indie, como “Narc”, “Evil” e “Barricade”.

Beady Eye

Foto: Reinaldo Marques/Terra

A banda dos ex-Oasis subiu ao palco pouco antes da meia-noite para se apresentar pela primeira vez no Brasil. Liderada por Liam Gallagher, o grupo apresentou as canções de seu disco de estréia Different Gear, Still Speeding. O início foi bem rock n’ roll e animou o público, mas deu uma esfriada conforme o tempo foi passando. O Beady Eye soa muito mais interessante ao vivo e Liam Gallagher, mesmo com sua fama de esquentado, parecia estar se esforçando bastante para ser simpático e conquistar a público. Trocou algumas palavras com o público e interagiu várias vezes com o pessoal da grade. No fim, o show saiu melhor que o esperado, mas sempre fica aquela expectativa de que se vá ouvir uma música do Oasis, o que não acontecer.

The Strokes

FOTO: FERNANDO BORGES/TERRA

Foi apenas 45 minutos depois que Gallagher e sua trupe saíram do palco que os Strokes chegaram ao Sonora Main Stage. A abertura escolha de abrir com a eletrizante “New York City Cops” não podia ser melhor e quando a canção deu lugar para os primeiros acordes de “Heart in a Cage” o jogo já estava ganho. O público que esgotou os ingressos ovacionava a banda e cantava cada palavra a todos pulmões. O Planeta Terra era o mundo do The Strokes. Se todos os outro shows foram mornos, a razão era que todos foram para ver Julian, Albert, Nikolai, Nick e Fabrizio se apresentarem por aqui mais uma vez.

O show seguiu exatamente como havíamos previsto, com adição de três outras canções. Canções do aclamado Is This It, que completou dez anos recentemente, dominaram a apresentação. O auge chegou com as duas últimas músicas antes da saída estratégica para o bis. “Juicebox” foi comemorada e berrada em uníssono por todos e emendada em “Last Nite” fez todo mundo cantar como nunca.

Se a banda também carrega uma fama de pouco comunicativa, não foi o que foi visto por aqui. Julian Casablancas estava bem animado e trocou algumas palavras com o público e fez até piada.

Após “Under Control” e “Hard to Explain”, a banda encerrou o bis e a apresentação com “Take it or Leave It”. Certamente o melhor show do festival, a banda respondeu a altura a expectativa pela sua apresentação por aqui.

Balanço

O Planeta Terra Festival esta aí para provar que é possível fazer um festival com atrações grandiosas e respeito ao público. É incrível como a organização do festival beira a perfeição e é difícil apontar falhas em toda a estrutura do evento. Se no ano passado o maior problema foi a de locomoção entre um palco e outro nos horários entre shows, nessa edição, uma rota alternativa de acesso ao Indie Stage foi aberta e a questão resolvida, deixando na memória do Planeta Terra 2011 apenas grandes shows e muita diversão. E que venha 2012.